Northvolt falida: Europa perde terreno para a China na corrida pelas baterias elétricas

  • Gigante europeia de baterias Northvolt pede falência, acumulando uma dívida superior a 5.800 mil milhões de euros.
  • A indústria automóvel europeia está em crise, com fabricantes como Porsche e Volkswagen afetados pela dependência das baterias Northvolt.
  • Empresas chinesas como a CATL poderiam adquirir uma participação na Northvolt, o que colocaria em xeque o objetivo europeu de independência energética.
  • A Comissão Europeia lança ajuda milionária para aumentar a produção local de baterias e limitar a dependência da Ásia.

logotipo da Northvolt

A recente falência do gigante sueco Northvolt, que até recentemente era considerada por todos a grande esperança europeia para liderar a transição para as baterias eléctricas, desencadeou uma grande crise na indústria automobilística do continente. Este golpe não atinge apenas a própria marca, mas também muitas empresas e projetos que dependiam da sua capacidade de produção.

A empresa sueca, que havia prometido ser a pedra angular da independência energética europeia, acumulou um dívida superior a 5.800 mil milhões de euros e entrou com pedido de proteção sob o Capítulo 11 da lei de falências dos Estados Unidos. Essa medida busca proteger a empresa enquanto ela tenta se reorganizar financeiramente, mas expõe problemas estrutural da indústria de baterias na Europa.

Uma indústria automobilística à beira do colapso devido à falência da Northvolt…

BMW Northvolt

Northvolt não era apenas um fornecedor chave para fabricantes como Volkswagen, BMW o Porsche, mas também representou o sonho europeu de deixar de depender de empresas asiáticas como CATL ou BYD, líderes na produção de baterias. Agora, com a falência da Northvolt, fabricantes como a Porsche enfrentam retrasos em projetos potentes e de longo alcance, como o novo Porsche 718 elétrico, com lançamento previsto para meados de 2024.

O Grupo Volkswagen, um dos principais accionistas da Northvolt, encontra-se na desconfortável posição de precisar procure alternativas de fornecimento rapidamente e ao mesmo tempo gerir as repercussões desta crise. Por outro lado, marcas como Audi, que diversificaram os seus fornecedores com opções como LG e CATL, estão melhor posicionadas para lidar com estas desafios.

China à espreita

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A falência da Northvolt abriu uma janela de oportunidade para a China, através do líder mundial em baterias CATL, reforçar o seu controlo do mercado europeu. De acordo com alguns relatos, Northvolt e CATL estão em negociações para uma possível parceria. Embora esta medida pudesse significar a salvação para a Northvolt, significaria também uma derrota simbólica para a Europa, que tinha optado pela empresa sueca como campeã na luta pela soberania tecnológica.

CATL, que produz o 35% das baterias de carros elétricos A nível global, já possui fábricas em operação na Alemanha e projetos futuros na Hungria. Se uma aliança ou aquisição for finalizada, ela não só será consolidada como o fornecedor líder na Europa, mas o objectivo europeu de independência dos gigantes asiáticos também seria prejudicado.

A Europa toma medidas, mas serão suficientes?

Regulamentos do Euro O número do quadro europeu

Em resposta à crise, a Comissão Europeia decidiu tomar medidas nesta matéria com um plano de investimento de 4.600 mil milhões de euros, destinado a apoiar o fabrico de baterias e a promover a independência energética. Desse montante, 1.000 milhões serão alocados especificamente para células para veículos elétricos, enquanto outros 1.200 milhões Serão utilizados para impulsionar a produção de hidrogénio renovável na Europa.

Além disso, o Banco Europeu de Investimento anunciou uma colaboração com a Comissão Europeia para mobilizar 200 milhões de euros mais em empréstimos que permitem o desenvolvimento de novas fábricas de baterias e projetos relacionados. Estas medidas procuram reforçar a cadeia de valor europeia e oferecer alternativas viáveis ​​às montadoras.

Impactos nos projetos europeus

Perfil do Porsche 718 Cayman GT4 RS

A crise não se limita ao fabrico de baterias; também começou a afetar outras pessoas projetos estratégicos na Europa. Por exemplo, a saída da Northvolt levou a empresa energética portuguesa Galp a abandonar o seu plano conjunto de construir um fábrica de hidróxido de lítio em Portugal. Este tipo de desenvolvimentos foram cruciais para garantir uma fornecimento estável de materiais essenciais na fabricação de baterias.

À medida que cresce a dependência da Europa em relação às empresas asiáticas, vários grandes fabricantes, como Stellantis e Mercedes começaram a interromper projetos de fábricas de baterias, o que coloca em risco o futuro da indústria automóvel europeia. Os problemas da Northvolt não afetaram apenas as fábricas atuais, mas também as projeções de crescimento, que estagnaram em 176 GWh em comparação com os planos iniciais que prometiam muito mais.

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A situação fica ainda mais tensa quando se considera que o mercado de carros elétricos na Europa está muito aquém das expectativas. Isto cria um círculo vicioso: Menos carros eléctricos significam menos procura de baterias, o que por sua vez atrasa a produção e o desenvolvimento de novas fábricas.

O panorama atual deixa claro que A Europa precisa de reformular a sua estratégia se quiser competir com a China na corrida pelas baterias. A falência da Northvolt, longe de ser um caso isolado, é um sintoma da desafios estruturais e financeiros que a região enfrenta na sua transição verde. Embora os investimentos anunciados sejam um primeiro passo, resta saber se serão suficientes para reverter a tendência e garantir um futuro competitivo para a indústria europeia.

Fonte - volt do norte - Automotive News

Imagens | Northvolt – Audi, BMW, Volkswagen


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