Quem é o responsável legal em acidentes com carros autônomos?

  • Os veículos autônomos já estão em circulação, mas com intervenção humana na maioria dos casos.
  • A responsabilidade legal em caso de acidente varia consoante o país e algumas abordagens atribuem a culpa ao fabricante.
  • As seguradoras estão a adaptar as suas apólices para cobrir carros autónomos ao abrigo dos novos regulamentos.
  • Os sistemas de inteligência artificial destes veículos devem tomar decisões éticas em situações críticas.

carros autônomos, responsáveis ​​por acidentes

Há alguns anos, os carros autônomos deixaram de ser apenas uma ideia futurista e se tornaram uma realidade que vem ganhando espaço em diversas partes do mundo. Estes veículos, concebidos para circular de forma independente e sem intervenção direta do condutor, têm gerado um intenso debate em torno dos seus possíveis benefícios e, sobretudo, das responsabilidades legais que surgem em caso de acidente. Embora existam muitas melhorias tecnológicas que prometem reduzir os acidentes de trânsito, a questão de um milhão de dólares permanece: Quem é o responsável em caso de acidente com carro autônomo?

Esse dilema vai além de uma simples questão técnica, pois envolve a revisão de legislações, regulamentos e, claro, dos aspectos éticos envolvidos na tomada de decisões sobre um veículo controlado por inteligência artificial. Devem o fabricante, o proprietário ou o próprio sistema assumir a culpa em caso de acidente? Vejamos detalhadamente como esta questão está sendo abordada em diferentes partes do mundo e quais os desafios que enfrentamos na correta regulamentação destes veículos.

O estado atual dos carros autônomos

Os carros autônomos ainda estão em diferentes fases de desenvolvimento e comercialização. Embora já tenham sido realizados testes e alguns veículos estejam circulando em modo autônomo, o A maioria desses carros ainda precisa de intervenção humana em determinadas situações. Os níveis de autonomia definidos por organizações como a Administração Nacional de Segurança no Trânsito Rodoviário dos Estados Unidos (NHTSA) permitem-nos compreender melhor que tipo de autonomia cada carro possui.

  • Nível 0: O motorista controla todas as funções do veículo, embora os carros possam ter sistemas de alerta.
  • Nível 1: Os carros podem controlar funções como frenagem ou acelerador sob certas condições.
  • Nível 2: O carro é capaz de controlar a direção e a velocidade simultaneamente. A Tesla, por exemplo, já tem carros que estão nesse nível.
  • Nível 3: O carro pode operar de forma autônoma em determinadas situações, mas o motorista deve estar pronto para assumir o controle a qualquer momento.
  • Nível 4: Um veículo quase totalmente autônomo que só necessitaria de intervenção humana em situações extremas ou específicas.
  • Nível 5: Autonomia máxima, onde o automóvel funciona sem necessidade de intervenção humana, independentemente das condições ou ambiente.

Acidentes até o momento: casos relevantes

Um dos primeiros casos mediáticos foi tragicamente o de Elaine Herzberg em 2018. Elaine foi atropelada por um carro autônomo da Uber que viajava no modo piloto automático. Apesar de ser um carro autônomo, quem assumiu a responsabilidade foi Rafaela Vasquez, o motorista de segurança que deveria estar monitorando o veículo. Este evento destacou um problema fundamental: os veículos autónomos requerem frequentemente intervenção humana e, se esta não for suficientemente rápida, as consequências podem ser fatais.

Outro acidente fatal ocorreu em 2021 com um Tesla Model S, que aparentemente funcionava em modo autônomo, mas sem ninguém ao volante. Estes tipos de incidentes levantam sérias questões sobre quem deve assumir a responsabilidade quando o condutor não está diretamente envolvido na condução.

Responsabilidade do motorista ou do fabricante?

responsável por acidente de carro autônomo

Atualmente muitas regulamentações continuam considerando que se o carro tiver a opção de ser controlado por uma pessoa, mesmo que de forma mínima, o responsável direto pelo acidente continuará a ser o condutor humano. Mas isso está começando a mudar.

Por exemplo, em Reino Unido, passos importantes foram dados em direção a regulamentações que impõem responsabilidade direta no fabricante de veículos quando está em modo totalmente autônomo. Isto implica uma mudança drástica, pois até agora o condutor sempre foi responsabilizado. Se o carro autônomo controlar completamente a situação e ocorrer um acidente, a máquina (e, portanto, o fabricante que desenvolveu o sistema) será considerada culpada. Este tipo de legislação está a abrir novas portas ao nível da regulamentação destes veículos.

Em outros países, como Estados Unidos, diferentes abordagens estão sendo adotadas. As regulamentações variam entre os estados, mas a tendência é promover a inovação e ao mesmo tempo equilibrar a segurança. A Califórnia, um dos estados mais avançados, permitiu que empresas como Cruzeiro y Waymo realizam testes com os seus robotáxis, embora alguns destes carros tenham sido responsáveis ​​por incidentes, o que gerou um forte debate e até levou à suspensão temporária de certas licenças.

O papel das seguradoras: como isso afeta os usuários?

Outro aspecto que não pode ser ignorado é o da seguro de responsabilidade civil. De acordo com diversas legislações, os carros autónomos de alto risco, ou seja, aqueles que apresentam um elevado nível de autonomia, devem ter seguros específicos que cubram possíveis responsabilidades em caso de acidente.

Esta é uma das maiores preocupações dos futuros utilizadores deste tipo de veículos, uma vez que a incerteza sobre quem será o culpado poderá significar prémios de seguro mais elevados. Em países como Espanha, ainda não houve progresso suficiente nesta área, mas já estão em curso discussões sobre como regular e segurar estes veículos.

Em alguns lugares como o Reino Unido, as seguradoras apoiaram as novas regulamentações, pois oferecem maior tranquilidade tanto para os motoristas quanto para as seguradoras. Assim, espera-se que o seguro cubra danos de responsabilidade do fabricante caso o carro esteja em modo autônomo.

Sistemas de inteligência artificial e ética de condução

Uma das questões mais preocupantes sobre veículos autônomos tem a ver com as decisões tomadas pelo Inteligencia artificial em situações de risco. Por exemplo, como um carro autônomo decidirá quem será salvo e quem não será, num caso em que causar danos é inevitável?

Muitos desses veículos são treinados para minimizar danos humanos na medida do possível, mas as suas decisões serão baseadas em cálculos objectivos e não em considerações emocionais ou morais. Isto pode levar a situações complexas, como se o carro prioriza a segurança dos ocupantes em detrimento dos pedestres, ou vice-versa.

Os desafios pendentes na atualização da legislação

Em todo o mundo, diferentes governos trabalham continuamente para atualizar a legislação. Na Europa, espera-se que os regulamentos para veículos autónomos de nível 2030 (totalmente autónomos) estejam totalmente definidos até 5.

Porém, como aponta o especialista Francisco Javier FalconePara ele, professor da Universidade Pública de Navarra, gerenciar a responsabilidade quando não há motorista humano pode ser mais complexo do que parece. A responsabilidade poderá recair tanto sobre os fabricantes de veículos como sobre os gestores de telecomunicações ou sobre aqueles que concebem sistemas de inteligência artificial.

Este panorama contrasta com a situação China o Estados Unidos, onde as regulamentações já estão mais avançadas e permitem a operação de veículos autônomos em determinadas áreas.

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